quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Qual a importância dos super-heróis na vida das crianças?


Rosely Sayão responde

A REPORTAGEM É LONGA MAS VALE A PENA,

Super-heróis, seres imaginários de capa e espada ou simplesmente com algum poder extraordinário fazem parte da vida das crianças durante a primeira infância, até os 6 anos. Mas até que ponto podem influenciá-las? No Momento Família desta terça-feira, a psicóloga Rosely Sayão disse que não há limites para a imaginação da criança nesta fase.

"Jogos de faz de conta, criações, invenções, tudo isto faz parte dessa fase. Isto ajuda a criança a recolocar suas angústias perante o mundo. Eu prefiro as histórias de princesas, rainhas, bruxas e fadas, que não tem ligação com o nosso mundo. Os super-heróis são pessoas deste mundo que se transformam em heróis. É quase uma montagem do mundo imaginário sobre o mundo real. Creio que a criança se dá melhor com o mundo imaginário absoluto. Mas não podemos mais escapar deles. Acho que podemos ir tentando adequar", disse.

Dica da Rosely

Antes de começar a responder as perguntas dos internautas, a psicóloga indicou a leitura do livro "Nos Labirintos da Moral" (de Mario Sergio Cortella, Yves De La Taille, Ed. Papirus) que trata sobre ética, moral e a relação com o coletivo. "Este livro é um diálogo muito interessante que nos faz pensar sobre muitas coisas. A vida não tem sentido se voltada só para mim, mas para e com o outro. Quem comete atos irregulares não está preocupado com o outro, é um narciso absoluto. Tornar-se um ser social nada mais é do que introduzir-se nas regras de convivência."

Bate-papo

No bate-papo, Rosely falou ainda sobre como lidar com a filha de 11 anos que contou ter ficado com um menino, como ajudar um companheiro que está com depressão e como conciliar a vida a dois com a os filhos pequenos, entre outros assuntos. Confira as perguntas e respostas.


(03:58:11) ana fala para Rosely Sayão: Qual a importância dos super-heróis para as crianças da primeira infância e a influência da mídia ?

(04:07:37) Rosely Sayão: ana, a primeira infância, até 5, 6 anos é um mundo imaginário. Não há limites para a imaginação. Jogos de faz de conta, criações, invenções, tudo isto faz parte dessa fase. Isso ajuda a criança a recolocar suas angústias perante o mundo. Eu prefiro as histórias de princesas, rainhas, mundos e fadas, que não tem ligação com o nosso mundo. Os super-heróis são pessoas deste mundo que se transformam em heróis. É quase uma montagem do mundo imaginário sobre o mundo real. Creio que a criança se dá melhor com o mundo imaginário absoluto. Mas não podemos mais escapar deles. Acho que podemos ir tentando adequar.


(03:58:21) nina fala para Rosely Sayão: Boa tarde! tenho uma filha de 5 anos ela não come quase nada, sempre tenho que fazer chantagem com ela.Fico super preocupada pois ela tem a taxa de ferro baixa nem leite ela toma ,ao contrario meu outro filho de 8anos não me da problemas com a alimentação.gostaria de ajuda!

(04:12:15) Rosely Sayão: nina, você falou uma coisa interessante: que tem que fazer chantagem com ela. Ela é que aprendeu com você. A questão da alimentação é um problema para nós mães. A gente não aceita que os filhos não tenham fome. Às vezes não tem mesmo. A gente deveria dar um valor único para a alimentação. Quando a gente faz chantagem, tira o valor da alimentação e dá um caráter afetivo. Isso vira uma arma na mão dos filhos.

A primeira coisa, Nina, é tirar a chantagem. Sua filha não vai morrer de fome. Converse com seu pediatra e ele vai dizer a mesma coisa. Tente organizar a alimentação dela. Faça coisas que ela gosta e introduza coisas que ela nunca experimentou. Tire as guloseimas, ou determine uma hora para elas, e tente dar o valor da alimentação à sobrevivência, saúde, só isso. Resista à tentação de fazer chantagem porque você já viu que não funciona.


(04:00:33) car pergunta para Rosely Sayão: Mãe (36) de um garoto de 5 e um bebê de 7 meses... meu filho mais velho sempre foi um garoto obediente, claro, com suas travessuras.... de uns tempos para cá, começou a me desafiar, e não obedecer, coisas simples, como por ex., tomar banho... é normal nesta idade? A propósito ele adora o irmão e nunca demonstrou nenhum tipo de ciúmes... Obrigado e parabéns pelo programa!

(04:16:00) Rosely Sayão: car, o comportamento do teu filho de 5 anos está absolutamente normal. Até essa idade eles estão totalmente submetidos a nossa vontade. Quando eles começam a se aproximar dos 6, 7 anos, começam a perceber que tem força, que podem fazer coisas escondidas e que podem mandar neles, mas não tem condições ainda de se governarem. Portanto, espere isso, o que não significa aceitar passivamente. Diga: "eu sei que você não quer tomar banho hoje, mas vai ter que tomar mesmo assim". Na adolescência é que a gente passa a vida deles para a responsabilidade deles mesmos. Nessa segunda fase da infância temos que reafirmar nossos princípios e autoridade sempre.


(04:04:52) gisa pergunta para Rosely Sayão: O que fazer qdo sua filha de 11 anos diz q foi a uma festa e ficou um menino?

(04:18:18) Rosely Sayão: gisa, depende do que você acha sobre isso. Está subentendido na sua frase que você acha muito cedo. Então você deve comunicar isto a ela e dar sua justificativa com convicção. Recoloca a questão dizendo que ela faz parte da sua família e na sua família não é assim. Depois tenta restringir estas situações em que ela pode fazer isso.

Às vezes a gente vacila em não avaliar as tentações que se apresentam a eles. É preciso tutelar de perto, às vezes de longe, para saber quando e como fazer uma intervenção. Mas a primeira coisa a fazer é trazê-la para o contexto da família. Isto não significa que ela não vá fazer mais. Mas daqui para a frente vai sentir um pouco mais de vergonha, o que pode conter os impulsos.


(04:08:03) tentoserzelosa fala para Rosely Sayão: Olá Rosely, tenho um filho de 5a e ao ler seu Blog vc falou sobre heteronomia, acho que não entendi como estar disciplinando a criança nesta idade...Meu filho é "contra a minha vontade" viciado em tv...como discipliná-lo senão "castigando-o ", deixando-o s/ ver tv na hora das refeições por ex....obrigada

(04:20:15) Rosely Sayão: tentoserzelosa, quando me referi a heteronomia no blog, é sobre alguém que está submetido à vontade de outro. É o contrário de autonomia. A criança é heterônoma, ela depende de nós. Então não adianta dizer que não pode colocar o dedo na tomada. Tem que impedir que aconteça. Deixar ele ir e depois castigá-lo é desnecessário. Quando a gente diz não vá e deixa ele ir, a falha é nossa.


(04:13:23) pau35 fala para Rosely Sayão: Rosely, tenho duas filhas uma de 4 e outra de 6. Elas esta muiiiiito bagunceiras. E tá difícil fazer elas se organizarem mais. Estou exagerando ou apenas mantenho a vigilância que isso é normal.

(04:22:47) Rosely Sayão: pau35, a idéia de que duas crianças de 4 a 6 anos podem se organizar é enlouquecida. Até os 6 anos eles tem uma idéia do que é organização ajudando a mãe, a professora a organizar. Pode iniciar isso ensinando a guardar os brinquedos. Eles até repetem o gesto, mas não entendem que é organização. Quando ele começa a ver no adulto a atitude de organização é mais fácil de aprender do que simplesmente obedecendo sua ordem. Então, essa desorganização é típica da infância. Aos olhos deles está tudo bem organizado. A partir dos 6, 7, é que você pode começar a ensinar, mas uma coisa de cada vez.


(04:16:16) Filo pergunta para Rosely Sayão: Eu não tenho um filho de nenhuma idade, que por não existir não causou nada, porém gostaria de saber quando um livro de auto ajuda funciona? Se é que funciona. Quando ele ensina a pescar ao invés de dar o peixe? Por q pra mim um livro de filosofia para leigos causa mais efeito estruturador do que essas "auto ajudas" por aí. O q vc acha? Parabéns pra vcs!

(04:26:05) Rosely Sayão: Filo, vamos considerar esses livros como aqueles que dizem "façam isso", "faça aquilo". O fundamental é que eles infantilizam o leitor. Não respeitam o potencial de inteligência dele. Os livros que eu indico aqui são os que fazem o leitor pensar e elaborar uma ação e não saber receitas do que fazer com seus problemas, suas dores.


(04:20:32) bia fala para Rosely Sayão: Boa tarde! meu filho de oito anos anda muito agressivo,não que mais sair só se for de seu interesse.Não sei o que faço tudo que falo ele me fala que sou chantagista. Fico sem ação! gostaria de ajuda Obrigado

(04:30:27) Rosely Sayão: bia, ele está certíssimo. Está usando os argumentos e recursos que conhece. Está descobrindo algumas feridas abertas que sabe que pode te ferir. Chamar de autoritária, chantagista, repressora, careta atinge os pais no mundo contemporâneo de um jeito, que eles ficam como você, sem jeito, e cedem. Aos 8 anos, você tem que dizer: "Chantagista não, eu sou sua mãe." Não dá muitas alternativas para ele. Não tem importância que os filhos façam coisas a contragosto. Mais importante do que isso é saber que fazem parte da família e que a família faz questão da presença deles em algumas atividades.


(04:20:44) rosa pergunta para Rosely Sayão: Fui casada 7 anos,do nada ele chegou e falou que queria ficar solteiro.não entendi nada, sofri muito,mas, acabei concordando e fiz o que ele queria, sofri demais.nos separamos e agora ele me ligou e falou que estava com saudade e queria me ver. SÓ QUE ELE CASOU NOVAMENTE.E agora rosely me ajude, o que eu faço? Ele pediu pra não falar pra ninguém, ficar entre nós dois. O QUE EU FAÇO?

(04:32:29) Rosely Sayão: rosa, não foi do nada, certamente. Ele falou que queria ficar solteiro, mas de fato queria se separar porque senão não formaria outra família. Mas o risco é todo seu. Você já tem esta história, que lhe permite chegar a algumas conclusões a respeito do que ele quer. Você pode aceitar ou não, mas joga nesta balança suas convicções, seu projeto de vida, se o que te interessa é só o presente ou também possibilidade de futuro e aí toma uma decisão e renuncia à outra.


(04:26:13) mulher25 fala para Rosely Sayão: Olá Rosely! Sempre dou uma espiada nas suas respostas aos participantes do chat e tenho gostado muito! Mas hoje preciso perguntar! Acontece que tenho passado por uma fase muito complicada do meu relacionamento e não sei como lidar com ela: a mãe de meu companheiro faleceu recentemente após passar meses na UTI. Não bastasse isso ele tem tido problemas no trabalho...ele está muito deprimido e desmotivado e por isso tento ajudá-lo de todas as maneiras q posso, mas há momentos em q tenho vontade de jogar a toalha e deixá-lo. Sei q seria uma solução muito radical e impensada, mas penso nisso reiteradamente porque EU também estou deprimida por uma série de motivos...e às vezes não tenho forças para suportar a pressão que o papel de companheira tem exigido. Preciso estar bem para fazer-lhe o bem e não tenho conseguido! O que faço?

(04:35:40) Rosely Sayão: mulher25, você não precisa estar bem para ajudar seu companheiro a atravessar uma fase difícil, você precisa estar com ele. A gente não pode exigir da gente conviver com uma situação difícil como esta e estar bem. Mas você não pode se misturar com ele. Ele está desse jeito por causa dos problemas dele. E você por suas razões. Vocês podem juntar forças.

A função principal de uma parceria, não necessariamente um casamento, é um acompanhar o outro nos momentos mais difíceis. Nos melhores, sempre tem alguém que aparece para compartilhar alegria. Não pense de imediato a abandonar tudo. O "EU" em maiúsculas demonstra egoísmo. No momento em que você se une a alguém há também o "NÓS". Trate esse "nós" com generosidade porque, futuramente, pode ser você que esteja mais para baixo e ele vai te dar uma força. Seja você e tente não se misturar a dor dele. Aí é que você poderá ajudar.


(04:26:26) sassa pergunta para Rosely Sayão: Boa tarde! Tenho uma filha de 7 anos que me deixa estressada com a sua falta de atenção em casa , na escola, será normal toda essa desatenção ?

(04:37:49) Rosely Sayão: sassa, conseguir que eles fiquem 4 horas do dia prestando atenção na aula já é bastante. Uma criança de 7 anos está dando os primeiros passos com as próprias pernas. É angustiante sim ter que aprender a ler e escrever. Não adianta querer que ela preste atenção em tudo. Às vezes a atenção deles flutua entre muitas coisas, mas estão ligados em tudo. Organizam a vida um pouco diferente do nosso jeito.


(04:32:26) Lica fala para Rosely Sayão: Oi Rosely, por favor, sou uma mãe perfeccionista...minha filha tem 09 anos...cobro muito dela....normalmente repito sempre a mesma coisa..como:vá escovar os dentes...lavou as mãos? e por aí vai....mas acho que sou muito exigente...ou é normal?? pior que isso chega a me estressar e acabamos brigando pois ela me deve achar uma chata...eu me acho.(rs)

(04:39:13) Rosely Sayão: Lica, ela deve mesmo achar você uma chata. Todos os filhos acham os pais chatos. Esse é o nosso papel. Mas quando ele atingir a maturidade vai ter aprendido algumas coisas sobre escovar os dentes, tomar banho, acordar na hora do compromisso etc. Pense que esse é o seu papel, que estressa menos. O duro é pensar que teria outra alternativa. Não tem.


(04:32:53) MONE pergunta para Rosely Sayão: Rosely adoro su programa parabéns! Tenho uma filha de três anos de idade, passamos por vários problemas respiratórios e de refluxo, o que nos deixou muito próximas, eu trabalho e assim que terminou minha licença voltei a trabalhar, minha filha fiocu com minha sogra e quando compeltou 1 ano e 6 meses foi para escolinha, meu marido vive me cobrando que temos que fazr programas a dois, mas eu não consigo sair com ele de final de semana e deixar minha filha com minha sogra ela já fica a semana inteira na escolinha, na minha opinião na idade dela temos que fazer programas familiares, e não simplismente deixar ela com minha sogra para curtir com meu marido, por -favor me de sua opinião. Beijos Simone

(04:42:09) Rosely Sayão: MONE, muito sensata a sua avaliação. Eu diria que os dois tem razão. Seria interessante uma negociação para tentar equilibrar. Por um lado, um casal que tem um filho precisa reconfigurar a vida considerando este filho. Por outro, este casal precisa atualizar as suas relações.

Talvez não seja todo fim de semana que você deva ceder e deixar tua filha com as avós, mas pelos menos a cada quinze dias, por exemplo. Isso vocês vão ter que negociar. Nem sempre precisa sair. Às vezes dá para fazer um jantar a dois e colocar os filhos para dormir.

É fundamental que o casal possa atualizar os afetos, os acordos etc. Esse é um conflito muito salutar. Só pode contribuir para que vocês aprendam a negociar melhor. Negociar não é abrir mão do que vocês querem, mas achar alternativas que de alguma maneira atendam aos dois. Um meio termo possível para os dois bancarem.


(04:33:01) pai35 fala para Rosely Sayão: Rosely, queria te agradecer muito a ajuda que tem me dado para educar meus filhos. E ainda agradecer a Lilian por ser responsável por esta oportunidade nossa. Muito obrigado.


FONTE:UOL NEWS

SENSACIONAL!!! AMANHÃ VAMOS POSTAR UMA SITUAÇÃO CAÓTICA NO PAÍS, NÃO PERCA, A CHARGE JÁ TÁ PRONTA!

2 comentários:

Cadeiras para Escritorio disse...

Muito Interessante a postagem, apesar de que eu não li tudo por ser muito longa, mas é muito útil e educativa!

Claudine Ribeiro G. Netto disse...

Olá amigo Edvalter, esta entrevista foi ótima para quem tem filhos e companheiros. Realmente as crianças em uma certa idade ficam sem querer tomar banho. Quando meu filho tinha uns seis anos, eu fui ao casamento de uma prima no RJ e ele ficou com minha mãe, eu ligava duas vezes por dia para falar com ele e saber como estava, em um desses telefonemas minha mãe me falou que já fazia sete dias que ele não tomava banho, ele ia para o banheiro ligava o chuveiro e quando saía do banho era com o cabelo enxuto, eu comecei a rir, pedi para falar com ele e disse: meu filho já faz sete dias que você não toma banho? quando eu chegar quero ver o meu filho limpo e cheiroso, por isso rapazinho já para o banheiro. Ele foi e tomou aquele banho. Tem certas horas que os pais devem agir com um pouco de psicologia, pois a criança passa por fases e devemos compreender. Eu não fui e não sou casada, mas sei que filho toma muito tempo de uma mãe e cabe a ela saber saber delegar este tempo entre os filhos e o marido. E essa de filha de onze anos querer ficar, é ficar, pois hoje em dia a moda é essa, acho um absurdo, pois com onze anos ela ainda é uma criança, é nestas horas que entra a mãe, tem que ter muita conversa e explicar que essa filha é muito nova para pensar em ficar ou namorar e que não vá na conversa de outras colegas.

Um abraço.